quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

1° Capitulo

Por: Lívia Stramare
1913


O honorável Zac Gillingham saltou do cabriolé, pagou o cocheiro e subiu os degraus da mansão Windlemere. A porta da entrada já estava aberta, ele entregou a cartola a um criado de libre com uma cabeleira empoada, e falou com o mordomo.
— Boa noite, Dawkins!
— Boa noite, sir.
— Sua Excelência está na biblioteca?
— Sim, senhor, e há uma hora que o espera.
Peregrine sorriu, ao notar um toque de censura na voz bem modulada do mordomo. Seguiu-o com seu modo de andar afetado, ao atravessar o vestíbulo de mármore.
A mansão Windlemere, entre todas as outras igualmente suntuosas de Park Lane, era a mais imponente. Fora construída pelo avô do duque. Segundo o conceito do início da era vitoriana, era exatamente o que deveria parecer uma casa ducal.
Felizmente, ela conservava os remanescentes da época georgiana e, portanto, fora planejada com mais elegância do que muitas de suas vizinhas.
Entretanto, naquele momento Peregrine não estava interessado na casa, por conhecê-la suficientemente. Esperava apenas que o duque Joseph não estivesse mal-humorado por ele ter se atrasado.
O duque inspirava respeito aos amigos e adversários. Até mesmo Zac, considerado íntimo, achava que quando Joseph retraía, manifestando uma circunspeção glacial, para evidenciar sua desaprovação, era realmente desagradável.
— Sr. Zac Gillingham, Sua Excelência! — anunciou Dawkins à porta da biblioteca. O duque, que estava lendo o Times, ergueu os olhos e exclamou:
— Zac! Que diabo! Por que se atrasou tanto?
— Desculpe, Joseph — respondeu seu amigo, dirigindo-se a ele. — Meu pai mandou-me chamar inesperadamente, e você sabe como é loquaz.
Largando o jornal, o duque observou:
— Suponho que posso aceitar essa desculpa. Sei o quanto seu pai é capaz de falar sem parar, quando o assunto o interessa.
— Ele não estava propriamente interessado — replicou Zac num tom pesaroso —, somente, aborrecido.
— Dinheiro?
— É evidente. Do que mais poderia ele me falar?
— Você não deveria ser tão extravagante!
— Isso é muito bom para você… — começou dizendo Zac, mas, notando que o duque o estava provocando, deu uma risada.
— Está bem. Reconheço que ultimamente andei me excedendo um pouco. Mas sabe tão bem quanto eu que  Brenda é incrivelmente perdulária, e muito mais agora que você lhe manifestou seu interesse.
— Não “comprometi a cotação do mercado”, como costuma dizer-me que venho fazendo há tempos.
— Há bastante tempo — replicou Zac. — Você despertou-lhe não só o gosto do caviar e champanha, mas também dos brilhantes. A mesada que recebo de meu pai não dá para tanto. — Suspirou antes de acrescentar: — É o diabo ser o filho caçula. Esta é uma situação que você jamais teve que enfrentar.
— Também tenho minhas dificuldades — observou o duque.
— Sinto-me confuso só ao pensar quais possam ser.
Ao dizer isso, aceitou uma taça de champanha quê lhe foi oferecida numa bandeja de prata por um criado de libre. O duque pegou a dele, e a garrafa carregada por Dawkins foi colocada num balde de prata cheio de gelo, antes de os dois empregados saírem.
— Você estava falando de suas preocupações — disse o duque com um sorriso desanimado. — Gostaria de ouvir as minhas?
— Ficaria encantado, mas sempre imaginei que não tivesse nenhuma.
— As minhas não são de ordem financeira, porém, mental. É verdade, Zac. Estava justamente pensando, antes de você chegar, no quanto estou entediado!
Zac aprumou o corpo, mostrando-se surpreso.
— Meu Deus! Se algum dia ouvi uma declaração tão absurda, esta é a mais incrível! Você, entediado? Você, que tem tudo? Não acredito!
— É verdade — respondeu Joseph —, e eu o culpo, porque ao atrasar-se, fez com que eu percebesse isso.
— Em nome de Deus, diga-me. Do que pode sentir-se entediado? É um dos homens mais ricos das ilhas Britânicas, e o maior proprietário rural. É dono dos mais famosos cavalos, e tem a primazia na escolha de qualquer beldade que mais lhe agradar! E todos sabemos a resposta para tudo isso. Por ser um homem tão infernalmente bonito, que se converte no herói sonhado por qualquer moça casadoura!
— Ora! Cale-se! Está me deixando enjoado! — interrompeu-o Joseph.
— É justamente isso que ocorre comigo, ao ouvi-lo dizer que está entediado! Preciso continuar a enumerar o resto de seus bens? Seu iate, o castelo na França, o seu rio de salmão…
— Basta! — ordenou o duque. — Estou falando de uma coisa diferente.
— Em que sentido?
— Creio que posso descrevê-la como um estímulo mental. O transtorno é que tudo o que faço tem um certo relacionamento que elimina completamente qualquer elemento de surpresa ou antecipação.
Para surpresa de seu amigo, o duque estava falando incrivelmente sério, o que fez com que Zac o olhasse com expressão perplexa. Zac era realmente inteligente, quando queria. Percebeu imediatamente que seu amigo não estava brincando, ou falando superfluamente. Parecia estar seguindo, de um modo que não lhe era habitual, uma seqüência de pensamentos ponderada.
— Estive pensando na noite passada, enquanto jogávamos pôquer -prosseguiu o duque —, que nós nos conhecíamos demais para que o jogo fosse realmente interessante. Por exemplo, descubro logo quando Archie recebeu uma boa mão, pelo piscar de seus olhos. Charles aperta os lábios ao ver que seu jogo está ruim, e você estala os dedos ao receber uma seqüência do mesmo naipe!
— Puxa! Isso equivale a trapaça! — protestou Zac.
— Ao contrário, é ser apenas observador e ter certeza do que vai acontecer. E devo acrescentar que também se aplica aos meus outros interesses.
— Suponho que com isso esteja se referindo a Ashley — arriscou Zac. — Já há algum tempo venho notando que ela lhe dá nos nervos.
Por um momento julgou que fora muito longe. O duque era sempre muito discreto, ao se tratar de alguém que viesse comentar seus casos amorosos. Mas naquela noite parecia disposto para confidencias.
— Ashley é, sem dúvida, a mais linda mulher de Londres, contudo, até a beleza pode tornar-se monótona.
— Concordo — disse Zac, pensando que para ele não era surpresa saber que o amigo estava começando a cansar-se de Ashley a condessa de Hellingford.
Ao vê-la pela primeira vez, sua beleza era arrebatadora. Contudo, era também inclinada a ser possessiva e, às vezes, petulante. E para ser franco, admirava-se de que o duque a tivesse tolerado tanto tempo.
— Que tal uma viagem pelo exterior, caro duque? — perguntou-lhe.
— Para onde irei? Esta é outra coisa em que pensei na noite passada. Já visitei quase todos os lugares mais atraentes do mundo. Portanto, a não ser que esteja disposto a atravessar o deserto de Gobí ou escalar o monte Evereste, não me resta muito para ver.
Rindo, Zac replicou:
— É realmente um caso do “pobre rapaz rico”!
— Exatamente — concordou Joseph, indiferente à ironia. — E é por isso mesmo que estou pedindo suas sugestões.
— Pelo amor de Deus, limite-se a pedi-las só a mim. Sabe muito bem a celeuma que provocaria, contando uma coisa dessas para a “gangue”. Todos estão satisfeitos com a situação conforme está.
O duque esboçou um sorriso cínico. Estava a par de que a “gangue”, assim chamada por Zac, era um grupo de amigos que dele dependia para caçar, pescar, velejar e muitos outros divertimentos generosamente proporcionados em suas propriedades.
Para o duque, tornara-se quase um hábito receber essas mesmas pessoas, a fim de passarem o fim de semana em Mere, sua belíssima casa em Surrey.
Esses amigos, que formavam sua roda seleta, a consideravam como se fizesse parte de suas vidas. Os mesmos quartos lhes eram sempre reservados, e neles deixavam suas roupas e outros objetos de uso pessoal, assim evitando ter que levá-los novamente para Londres.
Se o duque pretendia mudar seu modo de vida, para Perry, isso significaria choro e lamentações por parte dos “parasitas”, assim por ele chamados. Não estava disposto a ouvi-las.
— Para onde pretende ir? — perguntou Zac ao amigo.
— No momento, não penso em ir a parte alguma. Estou apenas perguntando-lhe o que poderia fazer. No que deveria interessar-me, em vez de ficar aqui sentado, esperando, e sentindo-me quase um fóssil.
— Essa é a última coisa que poderia ser! — exclamou Zac — Mas compreendo perfeitamente o que está dizendo, e tentarei encontrar uma solução.
— Tudo o que desejo é alguma coisa nova. Algo que seja diferente dessa rotina diária, que no momento faz com que minha vida pareça tão melancólica e serena quanto uma lagoa de patos.
— Quer trocar de lugar comigo? Posso garantir-lhe que ela seria bastante movimentada se convivesse com meu pai. Teria que ouvi-lo resmungar a respeito de responsabilidade, extravagância e de minha vida inútil, provando que não passo de um perdulário,
O duque riu, e observou:
— Seu pai sempre se aborreceu por sermos amigos. Acha que não assumo minhas responsabilidades com bastante critério. Foi o que ele sempre disse a meu pai, antes mesmo que eu tivesse idade para usar calças compridas.
— Se meu pai pudesse ouvi-lo agora — atalhou Zac —, perceberia que você está levando tudo demasiadamente a sério. Divirta-se, Joe! Ou então, por que não tentar o casamento? Serviria como uma mudança!
Por um momento verificou-se um silêncio melancólico, que foi rompido pelo duque.
— Você sabe a resposta. Nunca mais!
— Essa é a declaração mais ridícula que já fez. É evidente que tornará a casar-se algum dia. Que tal um herdeiro?
— Meu irmão Kevin tem três filhos.
— Mas seria diferente, se você tivesse um. Acharia divertido ensiná-lo a montar, a atirar e fazê-lo entender que deveria levar avante a tradição da família.
— Esse é um quadro que não me atrai absolutamente — replicou o duque com firmeza. — Quando Camilla foi morta, não senti nenhuma tristeza. Posso garantir-lhe que tendo escapado uma vez do laço matrimonial, não tenho a mínima vontade de enforcar-me uma segunda vez.
Zac não respondeu. Estava lembrando-se de.que o duque ainda era muito jovem quando seu pai tomara as providências para casá-lo com a filha de outro duque.
Do ponto de vista social, fora um enlace perfeito. Contudo, o noivo e a noiva começaram a discutir desde o momento em que saíram da igreja. Quando a esposa de Joseph morrera numa caçada, todos previram que ele tornaria a casar-se. Entretanto, a partir daquele momento, e no que se referia às mulheres, suas intenções passaram a ser totalmente superficiais. 
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Gostaram? Espero que sim!
1 coment para o próximo cp.
Beijins de estrelas
Ass:Lívia

1 pensamentos:

monalisa on 18 de fevereiro de 2011 14:33 disse...

posta posta !!
bjsssssssssss

 

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