sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

10° Capitulo

Por: Lívia Stramare
O duque deu o braço a lady Hellingford. Um homem chamado lorde Carnforth apresentou-se para acompanhá-la. Ao passarem pelas amplas galerias que levavam à sala de jantar,Demi perguntou:
— Conhece bem esta casa?
— Muito bem. Costumo ficar aqui tanto quanto seu tio.
— E ela ainda lhe causa a mesma emoção que sentiu na primeira vez?
— Isso foi há muito tempo. Quase já me esqueci dessas emoções.
Entretanto, ainda acho que é uma das casas mais lindas da Inglaterra. E é, realmente!
— Foi o que imaginei que diria — observou Demi. — Quero lembrar exatamente o que sinto em cada momento que passo aqui.
— Por quê?
— Para que, se eu não voltar novamente, possa lembrar-me dela. Por isso não posso perder nada do que para mim é uma aventura maravilhosa e emocionante.
  
À mesa, o duque colocou a condessa à sua esquerda, e a marquesa de Trumpington à direita. Como desejasse observar Demi, sentou-a logo depois da condessa, para que assim pudesse vê-la e ouvi-la.
Ficara surpreso com seu aspecto, porque apesar de sua mocidade, tinha um ar distinto. Embora tivesse reparado na simplicidade de seu vestido barato, notara que ele possuía uma característica que o tornava perfeitamente adequado para ela. Pensou que alguém deveria tê-la ajudado a escolher o feitio. Talvez em Roma, as costureiras se preocupassem em estudar a personalidade das clientes. As de Londres seguiam a moda cegamente.
Lançou um olhar pela mesa artisticamente arrumada. Louça com friso dourado, talheres de prata, copos de cristal e no centro uma profusão de orquídeas. Ele pensou que seria difícil não notar Demetria em meio a tanto luxo e ostentação.
Sua mocidade, o vestido liso e branco pareciam realçá-la ainda mais. Se fizesse parte de um cenário, seria a estrela para quem convergiria a atenção do público. Os outros ficariam num segundo plano. Ao passar-lhe isso pela mente, pensou que estava atingindo a idade na qual a mocidade exercia um grande fascínio.
Logo depois pensou irritado que ainda era bem moço para ter aquelas idéias. Passados alguns instantes, retribuiu galantemente os agrados de Ashley Hellingford.
Ao desviar novamente o olhar para Demetria, disse a si mesmo que o fazia simplesmente por ser o juiz daquela aposta. Nela estava implicada uma grande quantia em dinheiro.
Demetria parecia quase embevecida, ouvindo lorde Carnforth falar. Como Ashley baixasse a voz para cochichar-lhe algo ao ouvido, conseguiu ouvir Archie exibindo as qualidades de seus cavalos de raça. Era seu assunto predileto, e o duque pensou que a garota era bem esperta deixando-o falar.
Ignorava que Demetria se lembrara de já ter ouvido falar em lorde Carnforth. Fora um dia em que sua mãe estava lendo em voz alta para o marido os nomes dos convidados de uma grande recepção, à qual seu tio também comparecera. O pai dissera:
— Recordo-me de Carnforth ainda menino, quando ficou em nossa casa. Na época, é evidente que ignorava que obtivesse tanto sucesso após ter vencido o Derby.
— Adoraria assistir a uma dessas corridas, papai! Ele a olhara surpreso, e perguntara:
— Por quê?
— Por ter visto a reprodução de um quadro maravilhoso de Frith. Ele me fez perceber o quanto deve ser empolgante essa corrida.
— Realmente é — concordou o pai, sorrindo. — Assisti a uma delas, quando estava em Oxford. Durante muito tempo ainda me lembrava da multidão reunida no prado, dos ciganos e das carruagens luxuosas, sem falar no próprio Derby.
— É isso que acharia fascinante. E estou convencida de que seu amigo deve ter ficado muito orgulhoso ao vencer a mais famosa corrida do mundo.
— Quem lhe contou isso? — perguntou-lhe o pai, achando graça.
— Soube pela descrição que li no Times. Espero que talvez um dia eu ainda possa assistir a um Derby. Mas atualmente parece pouco provável.
Essa fora uma conversa casual, mas ao ser acompanhada por lorde Carnforth à sala de jantar, lembrou-se dela. Perguntou-lhe se ainda se lembrava de ter ficado hospedado em casa de seu avô.
— Meu Deus! Isso ocorreu há tanto tempo! Foi logo depois que fiquei conhecendo seu tio. Ele estava no último ano em Oxford, e eu no primeiro. Lembro-me de ter ficado muito orgulhoso com o convite de seu avô.
— Desde então, ficaram muito amigos — observou Demi.
— Suponho que assim podemos ser chamados — disse ele, lembrando-se das discussões freqüentes com sir Nick.
— Um de seus cavalos disputou o Derby este ano?
— Sim, de fato, mas não foi classificado. Tinha grandes esperanças para ele, que resultaram em decepção.
— O que aconteceu? — perguntou Demi, interessada.
Imediatamente, lorde Carnforth empolgou-se. Começou a falar de seus cavalos, dos métodos que empregava para adestrá-los. Gabou-se de prever exatamente como correriam e a colocação em que chegariam.
Se estivesse falando com qualquer das senhoras presentes, elas achariam o assunto maçante. Para Demetria, porém, era uma novidade, e prestava atenção, sentindo que os cavalos eram o maior interesse da vida dele, talvez até seu único amor.
Quando ele fez uma pausa, ela indagou:
— Considera o modo como alimenta seus cavalos um fator importante?
— Claro! — exclamou lorde Carnforth. — Preocupei-me muito com o estudo dos vários processos de alimentação dos cavalos de raça. Descobri um método que costuma ser muito bem-sucedido.
Fez uma pausa para observar o efeito que isso causara, mas Demetria perguntou:
— Parecer-lhe-á uma pergunta esquisita, mas é também tão exigente com a água que eles bebem?
Lorde Carnforth franziu o sobrolho, manifestando surpresa.
— Estou lhe perguntando isso devido ao que aconteceu em Roma. Quando lá chove demais, o rio Tibre enche e alaga tudo. Depois que isso ocorre, são registradas muitas doenças nas partes baixas da cidade. — Parou, para observar se ele a estava ouvindo, e prosseguiu: — Embora todos pareçam preocupar-se com o resultado da água contaminada nos seres humanos, ninguém jamais pensou nos animais.
Após ficar olhando para ela durante um momento, ele disse:
— Essa é uma teoria muito interessante, que jamais me ocorreu. Costumo levar sempre a ração de meus cavalos para onde quer que devam correr. Nunca tive a idéia de levar a água a que estão acostumados.
O duque, que estivera escutando a última parte da conversa, inclinou-se para a frente e observou:
— Nunca me passou pela idéia o quanto a água podia ser importante no treino dos cavalos. Mas agora, pensando bem, parece-me uma questão de puro senso comum. Mais ainda: suspeito que a água em algumas das estrebarias nas quais colocamos nossos cavalos está sempre imunda.
— A água varia muito através de todo o país… — começou a dizer lorde Carnforth, parando em seguida, para exclamar: — Acho que esta moça tem razão! Lembro-me agora de que há três semanas reparei que meus cavalos demonstraram não gostar da água que lhes foi oferecida. Os baldes estavam muito sujos. Isso serve de explicação para o fato de os cavalos estarem em perfeitas condições quando em nossas cocheiras. Uma vez no prado, perdem uma corrida que para todos os efeitos deveriam ganhar facilmente.
Ao ouvi-lo falar, todos ao redor da mesa prestaram atenção. Quando se calou, alguém iniciou uma discussão que logo se tornou geral. Entre os amigos do duque não havia um que, não sendo proprietário de cavalos de corrida, não estivesse profundamente interessado no “esporte dos reis”.
Passaram-se alguns minutos durante os quais cada um dava sua opinião acerca daquela teoria inteiramente nova. De repente, Demi ouviu o cavalheiro sentado do outro lado dizer-lhe:
— Foi a senhorita que provocou isso. Quem foi que lhe sugeriu que a água que bebem pode influir nas corridas de cavalos?
— Ao falar de água com lorde Carnforth, estava pensando realmente que se é poluída ou suja, pode afetar os animais. Em Roma as freiras sempre nos recomendavam cuidado com a que bebíamos, quando íamos à cidade.
— Então seu colégio ficava fora da cidade?
— Sim. Num local muito bonito, de onde avistávamos a catedral de São Pedro.
— Há muito tempo estive em Roma — tornou a falar seu vizinho. — Lembro-me de ter ficado muito impressionado com o Coliseu e, evidentemente, com as fontes.
— São lindas — concordou Demetria. — Sou muito feliz por ter sido educada num lugar que nos desperta a vontade de aprender, e cuja história é tão sugestiva.
— Espero que esteja interessada no presente como está no passado — tornou a falar o homem ao seu lado, e em sua voz havia algo de galanteador.
— Mas é evidente! — exclamou ela. — E também no futuro…
Ao dizer isso lembrou-se de que não tinha idéia do que lhe estava reservado.
Por um segundo olhou aflita para seu tio, que estava na outra extremidade da mesa. Esperava que julgasse seu comportamento adequado, e talvez não tivesse tanta pressa em livrar-se dela.
O homem à sua direita era um major. Fora companheiro de seu tio no Regimento da Guarda Real. Chamava-se Taylor Fane. Embora Demetria  ignorasse, era candidato ao ducado e também um dos homens mais requestados em Londres. Sendo inteligente e com muito tino para a política, preferia ficar em seu regimento.
Como estivesse sempre sediado em Londres, passava seu tempo namorando belas mulheres e perambulando incansavelmente de “boudoir em boudoir”! Jamais olhara para uma moça casadoura e seu único interesse em Demetria era o que apostara na derrota de Nick Benson para lorde Carnforth.
Mas agora, observando a moça, já não estava tão certo disso. Admirava seu modo de falar, sua voz musical, a displicência com que olhava para uma pessoa diretamente nos olhos. E, ao vê-la sorrir para ele, pensou que dentro de alguns anos ela seria o tipo de beleza que faria os homens perderem a cabeça. Então, estaria demasiadamente velho para conquistá-la.
Enquanto todos continuavam discutindo sobre cavalos e água, o major Fane achou-se na obrigação de baixar a voz e perguntar-lhe:
— O que espera encontrar no futuro… amor ou casamento?
— Não são sinônimos?… Suponho que é isso o que desejo encontrar… eventualmente.
— Por que não imediatamente?

******************
Huuuuuu tem algo esquentando akie ein...

Heloisa ela escreveu inumeros livros! *-* Eu perdi a conta! Ela é otima! E agradeço seu apoio, muitooo obrigada flor! Você é D+++! Te considero uma BFF ja. Beijins de estrelas BEST! *-*

Somente 1 coment, para o próximo cp ein...

Beijins de estrelas..

Amhu vocês.
Ass:Lívia.

1 pensamentos:

Aillinha on 25 de fevereiro de 2011 22:50 disse...

minha best que eu amo muitoooo
posta logo meu amor, está super perfeito te amo muito Liv

 

Meu primeiro e único amor. Copyright © 2011 Design by Ipietoon Blogger Template | web hosting