sábado, 26 de fevereiro de 2011

12° Capitulo

Por: Lívia Stramare

Demi acordou e, encantada, constatou que era uma linda manhã.
Ao se deitar muito tarde na noite anterior, dissera a si mesma que lastimava cada minuto desperdiçado com o sono. Em Mere havia muitas coisas fascinantes e emocionantes para ver e fazer. E ontem foi maravilhoso conhecer as obras de Mere.
— Não há planos para amanhã — dissera o duque, antes que dirigissem para seus quartos. — A maioria de vocês já esteve aqui com certa freqüência, para saber que tudo o que tenho está à disposição de todos. Só lhes resta pedir o que desejarem.
Ao notar uma expressão de surpresa em alguns, explicou:
— Estou dizendo isso porque existe alguém que nunca esteve em Mere. Todavia, estou certo de que seu tio já lhe falou sobre esse assunto.
— Mal tive tempo — replicou sir Nick. — É melhor você mesmo fazê-lo, Joseph. Acho que é muito mais adequado.
— Muito bem — disse o duque, dirigindo-se a Demi. — Como todos os outros sabem, temos tênis, criqué, golfe, e se gostar, pode montar a cavalo. Ah, temos também barquinhos no lago. Não a aconselho a arriscar-se num deles com Taylor. Ficou atolado na lama, a última vez que tentou acompanhar uma dama encantadora!…
— Isso foi o que ele contou! — gracejou alguém. — Além do mais a srta. Benson é muito jovem para que a deixem ir sozinha num barco com Taylor!
Ao ouvirem isso, a gargalhada foi geral. O duque, notando que Demetria ficara um pouco encabulada, continuou:
— Os cavalos nas cavalariças não são apenas para montaria. Se quiser, temos também os que podem ser atrelados a uma charrete, para levá-la a qualquer lugar. Mas se preferir, nossos carros com motor estão à sua disposição. Existem ainda outras coisas, das quais não me lembro no momento.
— Taylor preencherá as lacunas muito eficientemente… — insinuou um dos convidados.
Demi perguntou a si mesma por que diziam tantas piadas sobre o major Taylor. Ele fora muito gentil mostrando-lhe os quadros, não só os da sala de visitas, como também os de outras salas.
De fato, ouvira algumas observações jocosas, que não entendera, ao voltarem para o salão azul. Observara também que a viscondessa Stort dirigira-se a ele de um modo ríspido.
Demi não tinha ainda reparado nela. Era alta, morena, e sua voz um tanto rouca lhe pareceu a de um gato ronronando, ao dizer ao major:
— Jamais imaginei que a adolescência fosse propriamente o seu gênero, Taylor!
— Mas os quadros o são, Sarah — replicou ele. — Além do que, sir Nick pediu-me que os mostrasse à sua sobrinha.
A viscondessa dera de ombros e afastara-se de um modo que fez com que Demi percebesse que estava irritada. Estava prestes a desculpar-se com ela por ter detido o major durante tanto tempo, quando o duque se aproximou e perguntou:
— Gostou dos meus quadros?
— Tem uma bela coleção — observou Demi. — Muito melhor do que todos os que vi em Roma. Aliás, sempre preferi os artistas ingleses, e os seus Constable são magníficos!
O duque olhou-a, surpreso, e o major Taylor, piscando o olho, disse-lhe:
— Ficará sabendo que a srta. Benson é uma grande conhecedora de quadros. — Dizendo isso, ele afastou-se.
— Agora conte-me — disse o duque. — De todos os quadros que já viu, qual é o seu predileto?
Ele achava que tal qual a maioria das pessoas que visitara Mere, seria impossível citar um especialmente. Entretanto, Demi respondeu se hesitar:
— Os de Romney, não só pelo artista, mas também pelo tema.
— Está se referindo aos que pintou inspirado em Emma Hamilton.
— Sim, justamente esses.
— Admira a temível Hamilton?
— Admiro-a não só pela educação e o requinte com que recebia personagens mais importantes de Nápoles, incluindo o rei e a rainha, mas também por ter sido o estímulo do almirante Nelson, o mais notável marujo que a Inglaterra conheceu. — Falou com tal entusiasmo, que o duque achou graça.
— Está realmente fechando os olhos a um caso de amor ilícito? — perguntou o duque. — Deve lembrar-se, certamente, de que lady Hamilton tinha um marido, e Nelson uma esposa.
Verificou-se uma pausa, e ele percebeu que o rosto de Demetria corara ligeiramente.
— Na realidade… não pensei nisso… desse jeito. Estava lembrando-me apenas de como lady Hamilton convenceu o rei de Nápoles abastecer de água a esquadra inglesa em seus portos, quando de inicio os napolitanos haviam se recusado por temerem a Napoleão.
Parou um instante, antes de acrescentar:
— Se não tivessem feito isso, jamais teria ocorrido uma batalha no Nilo, quando a esquadra de Napoleao foi completamente aniquilada pelo almirante Nelson.
— Estou relembrando minhas aulas de história — observou o duque. — Entretanto, continuo interessado em saber como uma mulher amando um homem que não era seu marido pôde inspirar-lhe essa admiração, Demetria.
— Bem… é que… talvez essa parte da história não tenha sido bem esclarecida nos livros que estudei — disse Demi, um tanto hesitante. — Mas acho que o fato de inspirar e auxiliar lorde Nelson não pode ser condenado. E se foi estimulado pelo amor devemos perdoá-la, considerando o quanto fez pela Inglaterra.
O duque parecia muito intrigado. De certa forma julgara que moça educada num convento, sendo tão jovem, deveria escandaliza e até mesmo horrorizar-se com o que era considerado uma ligação ilícita. Mas, pelo que dissera, Demetria não devia ter certeza, ou nem mesmo compreendera o verdadeiro sentido daquela paixão desenfreada que dominara os dois.
Evidentemente não condenava, como o duque julgara que ela o fizesse, uma mulher casada que amasse outro homem. Ficou imaginando o que Demetria diria se soubesse das intrigas e casos amorosos que estavam ocorrendo no momento em Mere. Com exceção de sir Nick, não havia um só homem do grupo que não estivesse envolvido com uma mulher.
Ao que sabia, Nick Benson encantara-se por uma senhora extraordinariamente atraente, mas deliberadamente não a convidara, a fim de ser ele o par de Demetria. Além disso, e pelo que sabia a respeito de adolescentes, e que era muito pouco, a mocinha teria se escandalizado ao descobrir que havia algo de anormal no relacionamento de seus tios.
Todos os do grupo de Windlemere sabiam que as coisas entre os dois não andavam muito bem, cada um tendo seus próprios interesses. Entretanto, como isso fosse comum, o assunto já não despertava mais nenhuma curiosidade.
— Espero que amanhã, ou enquanto aqui estiver, tornará a admirar meus quadros, porém, em minha companhia. Estou interessado em ouvir seus comentários a respeito da bela Emma.
Demetria pareceu pensar por um momento, dizendo em seguida:
— Existe muita coisa que quero ver. Contudo, gostaria de conhecer e ficar sabendo a respeito dos tesouros que tem aqui. Evidentemente, entre todos os seus criados, deve haver um administrador que não se importe em responder a minhas perguntas.
— Tenho um, mas estou perfeitamente preparado para responder a elas pessoalmente.
— Tenho certeza de que o senhor achará enfadonho tudo quanto quero saber, mesmo que tenha tempo.
Não falara aquilo para lisonjeá-lo, como qualquer mulher teria feito, esperando que o duque afirmasse que para ela disporia sempre de um momento. Estava apenas declarando um fato, o de não querer ser um estorvo.
— Estou inteiramente ao seu dispor, para ser o mais minucioso dos guias, caso, porém, eu esteja ocupado, poderá falar com meu administrador, o sr. Liam, que é muito competente.
— Obrigada, o senhor é muito gentil.
— Pretende passar toda a manhã visitando as redondezas?
— Não propriamente. Disse que seus convidados poderiam montar a cavalo. Costumava montar em Roma, uma vez que tio Nick teve a bondade de custear minhas aulas de equitação. Sempre achei os cavalos que eu calvagava muito mansos.
— Posso garantir-lhe que os meus são exatamente o oposto — disse o duque.
— Assim o espero — afirmou Demetria, sorrindo.

E agora, ao acordar, lembrando-se dessa conversa, decidiu que, por ser bem cedo, ninguém estaria ainda de pé. Era, portanto, o momento adequado para sair a cavalo.
Pulou da cama, dirigindo-se à janela. Como a manhã apenas tivesse nascido, o lago ainda estava envolto em névoa, bem como os troncos das árvores que ficavam do outro lado. Entretanto, o sol começara a dispersá-las, projetando no jardim um reflexo dourado.
Encantada, Demi vestiu-se. Possuía ainda um traje de montaria muito elegante e bem cortado, por ter sido feito na Inglaterra.
Embora ura tanto usado, pois mandara fazê-lo antes de ir para a Itália, pensou que não tinha importância, uma vez que ninguém a veria. Ao olhar para o relógio em cima da lareira, viu que eram apenas cinco e meia. Presumindo que ninguém ia vê-la, decidiu não usar o chapéu.
Penteou-se, prendendo os cabelos com grampos para que não ficassem em desordem. Olhou rapidamente para o espelho e saiu do quarto, descendo a escada sem fazer nenhum ruído. A porta de entrada estava aberta e duas empregadas esfregavam os degraus. Outros criados estavam trabalhando sem às libres e as cabeleiras empoadas. Iam de um lado para outro em mangas de camisa por baixo de seus coletes abotoados.
Espantados, olharam para ela ao dizer bom dia. Demi precipitou-se para fora, sabendo para onde deveria dirigir-se. Na véspera seu tio lhe mostrara onde estavam as estrebarias, dizendo:
— Elas são mais antigas do que a mansão construída por Adam! Consta que são as mais lindas destas redondezas, mas desconfio que você esteja mais interessada no que elas contêm.
Ao passar por baixo de um arco, foi dar diretamente nas cocheiras. Avistou logo as cabeças dos cavalos por cima das meias-portas de suas baias, e uma porção de cavalariços carregando baldes ou fardos de feno.
Parou perto do primeiro que viu, dizendo:
— Bom dia! Sua Excelência o duque deu-me autorização para montar. Um de vocês poderia encilhar um cavalo para mim?
— Evidentemente, madame — respondeu um menino, pondo o balde no chão e saindo por uma porta. Demi seguiu-o.
Notou que naquela parte da cocheira, as baias não davam para o pátio. Foi passando por uma espécie de corredor, olhando para os cavalos, achando cada um mais lindo do que o outro.
— Bom dia! — ouviu uma voz ao seu lado, num tom respeitoso. Virando a cabeça, viu um palafreneiro idoso. — Pelo que compreendi, a senhora quer montar, não é, madame?
— Sim, por favor.
— Talvez um cavalinho manso? — perguntou ele.
— Não manso demais!
— Tenho justamente o que lhe serve — disse sorrindo. — É aquele ali.
O velho entrou numa das baias, e ela o seguiu. Avistou, na que ficava ao lado, um garanhão imponente sendo encilhado por um palafreneiro. Como se adivinhando sua curiosidade, o homem disse-lhe:
— É para Sua Excelência, o duque, madame. Acho que por ter se levantado tão cedo, pretende acompanhá-lo.
— Eu nem sabia que o duque saía a cavalo assim cedo. Mas gostaria, se ele não me julgar uma intrusa.
— Não ele, madame. O duque é tão forte e esportivo, que costuma levantar-se antes que todos os outros da casa abram os olhos. — Dando uma risadinha, acrescentou: — Será uma surpresa para ele ver que a senhora também se levanta cedo.
O homem tinha razão, pensou Demi ao acompanhar um cavalariço que estava levando o cavalo para o duque. Ele já estava esperando. Achou-o muito elegante de culote, botas altas e um casaco de lã que devia ter sido cortado pela mão de um mestre, um chapéu-coco colado ligeiramente de lado sobre os cabelos escuros, e um chicotinho.
— Acordou cedo, srta. Benson!
— Pensei que seria a única em Mere que saísse a cavalo antes do café da manhã. Caso prefira passear sozinho, irei para outro lado.
— Não seria tão pouco cavalheiresco a ponto de sugerir-lhe essa idéia! — replicou ele. — Iremos juntos, e só espero que ache o seu cavalo bastante fogoso.

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 Uiiii....

E aii gente? O que acharam?
Ta rolando alguma coisa aqui, ou eu to ficando lelética?

2 coment´s para o próximo cp.

Tay> BEST FOREVER que eu amhu brigada! Muito fofo de sua parte! TE AMHU! *-* ###POSTANDO###

Beijins de estrelas.

Amhu vcs!!!!!!!!!!!! *-*


Ass:Lívia.

2 pensamentos:

monalisa on 26 de fevereiro de 2011 18:48 disse...

ameiiiii !!!!!!!
posta posta posta !!
bjsssssssss :)

Anônimo disse...

AMEIIIIIIII

 

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