sábado, 19 de fevereiro de 2011

2° Capitulo

Por: Lívia Stramare
Cercado e assediado na sociedade pelas mais adoráveis e sofisticadas mulheres, tomara uma decisão. Divertir-se sempre com as casadas com maridos complacentes, a maioria das quais era mais velha do que ele.
Só recentemente passara a escolher por companheiras as beldades que tivessem a idade aproximada à dele, ou mais jovens. Estas, porém, eram sempre casadas, sendo duvidoso o fato de algum dia ele ter conhecido uma moça em idade de casar, ou sequer falado com alguma.
Fora esse o padrão tradicional estipulado pelo último monarca, Eduardo VII, no fim do século passado, com o “grupo da Casa de Marlborough”.
Para uma bela mulher que tivesse sido casada durante alguns anos e tivesse presenteado o marido com um herdeiro, a perspectiva era mais ou menos a seguinte: poderia ter um caso amoroso, contanto que fosse discreta, e de nenhum modo provocasse um escândalo.
Os amores ilícitos do rei Eduardo, ocorridos até o dia de sua morte, evidentemente eram conhecidos por seus amigos íntimos. Mas, fora do círculo real, a presença da bela rainha Alexandra nas cerimônias públicas servia-lhe de anteparo até para os jornais.
Zac sabia que seu amigo Joseph, embora conhecido como um conquistador, representava o modelo das virtudes para o mundo não oficial.
Após ter refletido sobre tudo isso, tornou a falar:
— Apesar de não estar disposto a casar-se, teremos que procurar alguém que possa vir a interessá-lo.
— Duvido que encontre — respondeu o duque melancolicamente. — Começo a acreditar que todas as mulheres são parecidas, seja qual for a camada social da qual se originam.
Levantou-se, indo servir-se de mais uma taça de champanha.
— Se pensa que Ashley é extravagante, você não tem idéia do que me cabe proporcionar-lhe!
— Pode perfeitamente dar-se o luxo de satisfazer-lhe todos os caprichos!
— Sim, mas positivamente é exasperador saber que o verdadeiro interesse de uma mulher em você é considerá-lo uma cornucópia inesgotável.
Joseph dissera isso com amargor, e Zac achou graça. .
— Isso me lembra um velho tio, que me disse certo dia: “Na minha idade, presume-se que eu pague!” Alterando um pouco o texto, diria que você, como um duque, não pode pretender os favores de uma mulher por nada…
Vendo que o amigo não replicava, acrescentou:
— Pare de pensar como um idealista, querendo ser amado por seus belos olhos. Aceite o que os deuses lhe deram e mostre-se grato! Imagine se alguém da “gangue” ouvisse esta conversa, não acreditaria!
O duque riu.
— Se lhe dá prazer, Zac, admito que tem razão. Estou fazendo um papel ridículo. Agora é melhor irmos nos encontrar com os outros. Já devem ter chegado. — Assim falando olhou para o relógio sobre o consolo da lareira. Faltava um quarto para as oito.
— Por que não saímos após o jantar? — sugeriu Zac. — Temos uma quantidade de convites para festas, e espero que todos tenham recebido. Ou que tal irmos assistir ao último ato no Gaiety?
— Já o vi pelo menos três vezes.
— Existem outros teatros.
— O jantar será servido tarde demais para isso. Caso goste, podemos depois dar um pulo no Romano. Quem sabe venhamos a encontrar alguém que mereça ser admirada!
— Está bem — concordou Zac —, mas hão deverá falar sobre isso em frente a Archie e o resto da turma, pois desejarão ir também.
— Ficarei calado. Iremos sozinhos — prometeu o duque.
Ele colocou a taça vazia na bandeja, e seguiram pela galeria imponente até o salão azul. Era aí que os amigos se reuniam antes do jantar.
Naquela noite a reunião era estritamente masculina. Muitos estavam voltando das corridas e queriam conversar a respeito de cavalos, o que invariavelmente era monótono para o sexo oposto.
No salão encontravam-se seis homens, com os copos nas mãos, quando Zac e o duque entraram.
— Alô, Joseph! — exclamaram quase todos erguendo os copos. — Estávamos começando a pensar que nos esquecera.
— Não, absolutamente — replicou o duque com amabilidade. — Passaram um dia agradável?
A resposta foi dada por um coro de vozes. Ficou sabendo que as apostas tinham sido desastrosas. Os cavalos favoritos foram derrotados por azarões, nos quais ninguém tivera palpite.
— Estou disposto a afogar minhas tristezas — disse lorde Carnforth.
— Mas antes de fazê-lo, quero sua opinião, Joseph. Trata-se de uma discussão que estava tendo com Nick, no momento em que você entrou.
O duque serviu-se de outra taça de champanha, e sentando-se, disse:
— Estou preparado para dar minha sentença. Qual foi o pomo da discórdia?
— Estávamos falando sobre a nova peça de George Bernard Shaw, — respondeu sir Nick Benson. — Chama-se Pignfalião. Já foi vê-la?
— Não. Do que se trata?
— É a respeito de um filólogo especialista em fonética, que educa uma florista do Covent Garden com tanta perfeição que ela consegue falar e vestir-se corretamente. Acaba apresentando-a à sociedade, sem que ninguém suspeite de sua origem humilde.
— Nunca ouvi uma coisa mais ridícula! — exclamou lorde Carnforth.
— Há tempos admirei Shaw, mas isso é pura fantasia e um insulto à inteligência do público.
— Na sua opinião! — retrucou Nick Benson. — Continuo afirmando que se um professor brilhante encontra uma moça dotada de uma inteligência maleável, consegue ludibriar pelo menos muitas pessoas.
— Teriam que ser retardadas ou débeis mentais! — exclamou Archie Carnforth. — Imaginam, por um momento, que qualquer um de nós poderia ser enganado por uma desconhecida? Claro que não!
— Suponho que isso dependeria do quanto fosse bonita e bem vestida — arriscou-se Zac a dizer.
— Não estamos falando de prostitutas — replicou Archie. — Trata-se de uma moça vinda de um ambiente miserável que engana pessoas inteligentes, fazendo-as acreditar que é uma dama. É este o enredo da peça de Shaw, e acho-o ridículo!
— Concordo com você — observou outro convidado. — Sabe tão bem quanto eu que na sociedade é fácil cometer gafes. Podem ser incrivelmente indiscretas para os que estão a par do assunto.
— O que quer dizer com isso? — perguntou alguém.
— Muito bem, tomemos nós mesmos como exemplo — atalhou Archie Carnforth. — Suponhamos que alguém tentasse impingir-nos uma desconhecida. Saberíamos imediatamente se ela era autêntica ou não. Seria como pretender que um colar falso viesse do Cartier. Nós o reconheceríamos logo. O que acha, Joseph?
— Sinto-me inclinado a concordar com você. Contudo, e ao mesmo tempo, posso compreender que a peça de Shaw seja interessante. Terei que ir assistir a ela qualquer dia.
— Se fosse você, não gastaria meu dinheiro! — tornou a dizer Archie Carnforth. — O assunto todo é um amontoado de asneiras, do começo ao fim!
— Não concordo — disse Nick Benson bruscamente. — À parte qualquer outra coisa, penso que as mulheres são tão adaptáveis quanto o camaleão. Podem amoldar suas opiniões às da pessoa com quem estejam conversando no momento.
— Esse é mais um absurdo inqualificável! — atalhou lorde Carnforth agressivamente. — As mulheres têm que se apegar ao seu próprio ambiente, às pessoas com as quais tenham laços de sangue e afinidade intelectual. Fora isso, elas se sentem tão deslocadas quanto um peixe fora d'água.
Nick levantou-se, dizendo indignado:
— Essa é a afirmação mais idiota que já ouvi! Através de toda a história, as mulheres se habituaram a se adaptar à sociedade na qual foram introduzidas pelas circunstâncias!
— Nesse particular, concordo com Nick até certo ponto — observou o duque.
— Duvido que Nick possa concretizar o que declarou — tornou a replicar lorde Carnforth. — Nós nos conhecemos muito bem, o mesmo ocorrendo com as mulheres que Joseph recebe tão generosamente quanto a nós. Pois bem. Imaginem agora uma desconhecida de educação inteiramente diversa da nossa, que de repente fosse atirada em nosso meio. Ela só poderia sentir-se deslocada, isolada de um modo bastante constrangedor, e para nós seria a mais maçante das criaturas.
— Compreendo o que está querendo dizer — observou alguém. — Ela se sentiria completamente por fora. Não entenderia nossas piadas, ou seria incapaz de tomar parte numa conversa. Sim, de fato, acabaria tornando-se um estorvo para nós, e isso seria embaraçoso para ela.
— Exatamente! — prosseguiu Archie. — Vejamos se Nick pode contestar isso.
— É evidente que posso — retrucou Nick. — Nenhum grupo social é estável. Pessoas novas nele ingressam, homens e mulheres. Embora de início possam sentir-se estranhas, são rapidamente absorvidas por esse grupo.
— Continuo afirmando que não é fácil. A não ser que tenham nascido no mesmo nível social e possuam os mesmos interesses daqueles aos quais se associaram — revidou Archie Carnforth. Olhou ao seu redor, antes de acrescentar:
— Vocês podem imaginar se esta noite tivéssemos aqui um homem que não fosse adepto do turfe, não jogasse bridge, não tivesse freqüentado uma escola pública e não conhecesse nenhum de nós? A única coisa que me ocorre dizer é que sentiríamos pena do pobre coitado.
— Mas, supondo que fosse uma mulher? — perguntou alguém rindo.
— Mesmo se fosse simpática — respondeu lorde Carnforth —, ou até bonita, se assim preferirem, ela continuaria sentindo-se constrangida. Isso porque não conheceria ninguém de nossas relações, e não freqüentaria os mesmos lugares que nós, e não admiraria Joseph, o duque mais bonito da atualidade.
— Ela seria cega se não percebesse isso! — observou Zac, e a gargalhada foi geral.
— Ao se tratar de mulheres, evidentemente isso se torna mais fácil do que no caso de um homem — disse Nick Benson, após ter-se restabelecido o silêncio. — E por isso mesmo afirmo que o ponto sustentado por Shaw em Pigmalião é perfeitamente possível. O professor levou muito tempo e teve dificuldades para ensinar a florista Eliza Doolittle a falar corretamente, mas afinal era um foneticista. Suponhamos que devamos começar com alguém que não fosse uma dama por nascimento. Vocês não imaginam que ela pudesse sentir-se à vontade conosco? E que acabaríamos aceitando-a sem mais problemas?

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E aiii? Coisa boa disso não pode vir...
Mona agradeço seu carinho BEST, obrigada!

1 coment no minimo para o proximo cp sair.

Beijins de estrelas!

Amhu vcs!
Ass:Lívia

2 pensamentos:

Aillinha on 19 de fevereiro de 2011 14:29 disse...

meu amor esta lindoo amei mt

Paola on 20 de fevereiro de 2011 09:53 disse...

Taahhh linddoooo d+++
ameiiiii!! <3

possstaaa maisss divah *-*
plisss!!!

beijosss;**

 

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