terça-feira, 30 de julho de 2013

Capítulo 1/ Parte 2

Por: Lívia Stramare
Ela e Mia sempre foram inseparáveis, suas famílias eram proprietárias de fazendas vizinhas e nutriam uma amizade sólida antes mesmo das meninas nascerem.
Elas fizeram e aprenderam quase tudo, juntas, somente se separaram depois do colégio. Jessica foi para a faculdade de Veterinária e Mia foi para a de Moda. Mesmo com a distância continuaram a ser confidentes e era sempre uma festa quando se encontravam nas férias.
 Desde quando Jessica se entendia por gente, Sam fizera parte de sua vida e a vida inteira ela fora completamente, abarrotadamente apaixonada por ele.
Ele fora o adolescente e agora o homem mais lindo que Jessica já vira, porém durante todo esse tempo, ela fora tratada por ele, como a outra irmã mais nova.
Sam a havia visto nascer. Dera-lhe inúmeras mamadeiras, a vira dar os primeiros passos, já a colocara para dormir inúmeras vezes, e depois, a ensinara a nadar, a pescar, a cavalgar, e mais tarde, a arte de domar os cavalos através do método Monty Roberts, o famoso encantador de cavalos.
Mesmo com a diferença de idade, ele jamais havia sido como os outros garotos. Nunca a destratara por ser menina, mais nova, mais inexperiente, ele sempre a protegera e bajulara, assim com Mia claro. Fora o irmão e amigo mais perfeito que uma menina poderia querer.
E conforme ela foi crescendo o aparente amor fraternal que sentia por ele foi se modificando.
Quando ela tinha somente três anos, Sam foi para a faculdade e por duas semanas ela ficara doente sem explicação nenhuma. Não comia mais, não queria mais brincar, chorava pelos cantos sem razão. Os pais, preocupados, chamaram o médico da família e depois do exame, dizendo que aparentemente ela não tinha nada físico, perguntou se, por acaso, ela teria passado por algum trauma; se perdera algum animal de estimação, se algum amigo havia se mudado, ou um parente haveria falecido. Então os pais entenderam que ela somente sentia falta de Sam, seu irmão de criação, e por mais incrível que pareça, sua doença acabou quando Sam, a pedido de seus pais e os de Jessica, ligava diariamente para a menina. Contando os dias juntamente com ela, para as férias, quando ele retornaria a fazenda para fazê-la ficar bem.
Aos doze anos, quando as meninas começavam a olhar os meninos não mais como inimigos, ela percebeu que Sam nunca fora o inimigo, nem o irmão, mais seu primeiro e único amor, mas ela sabia que era só uma criança ainda e ele já um homem de 27 anos. Formado na Faculdade de Comércio Exterior e também Zootecnia. Havia estudado como um louco para conseguir acompanhar e cuidar dos negócios da família.  E havia também suas conquistas, suas namoradas, fatos que a perturbavam e entristeciam mais do que era normal, mas ela esperaria pacientemente até seu décimo quinto aniversário, onde aos seus olhos, ela seria apresentada à sociedade como mulher.
Jessica sempre fora linda, nascera linda e continuou assim. Já era adorada por garotos mesmo no jardim de infância e bem, ao entrar no colegial, tinha uma legião de fãs, mas nenhum deles tinha qualquer chance com ela. Seu coração já era de outro há muito tempo. Mas na festa de seus quinze anos, ela superou todas as expectativas, ela estava deslumbrante, encantadora e por mais que pareça agressivo dizer isso de uma menina dessa idade; incrivelmente sexy. E era exatamente isso que Jessica queria estar irresistível, pois ela decidira que seria nesse dia que ela declararia seu amor a Sam. Ela tinha um plano e foi esse plano que talvez, a fez perder Sam para sempre.
A festa estava maravilhosa, cheia de convidados ilustres, pessoas que Jessica nem conhecia. E lá estava ele esplendoroso, vestido no seu smoking.
Sam havia ficado alto, 1,85m de puro músculo, conquistados com muito esporte e muito trabalho pesado em seu haras. Apesar de hoje trabalhar mais na parte administrativa, ele não perdera o bronzeado que conquistara trabalhando ao ar livre. Seus cabelos eram lisos e loiros, clareados naturalmente nas pontas pelo sol, seus olhos eram de um azul profundo, quase pretos, como a parte mais profunda dos mares caribenhos. Seu rosto era forte e tinha o poder de causar impacto, seu maxilar era quadrado, como esculpido em mármore, seu nariz era pequeno em contraste com a boca generosa e os olhos grandes. E não havia uma mulher que não sucumbisse a Sam, caso ele a quisesse.
Além de lindo ele era charmoso, educado, gentil e milionário. E mesmo com todas essas qualidades, Sam estava sempre sozinho nas festas de aniversários ou nos feriados comemorativos e quando os pais decidiam pressioná-lo, pois achava que estava na hora dele arrumar uma esposa, ele desconversava e dizia que ainda não havia achado a mulher certa.
Jessica sonhava que ela era essa mulher...
E se lembrava como uma tortura de todos os detalhes daquela noite.
Ela havia se aproximado quase flutuando na roda de amigos onde Sam estava com uma taça de champagne nas mãos e percebeu com satisfação que todos os homens da roda pararam de falar para olhá-la com admiração, ela pediu a Sam docemente:
- Posso falar-lhe por um instante?
- Claro! – respondeu Sam solicito – com licença – pediu educadamente e pegando o cotovelo de Jessica se dirigiu a um lugar mais reservado, perguntando:
- Algum problema, Jess?
Jessica tremia, pegou o copo das mãos de Sam e bebeu o champagne num só gole. Precisava do álcool para que tivesse coragem e o fez antes que Sam pudesse impedi-la, tirando o copo vazio de suas mãos dizendo alarmado:
- Hei! Que eu saiba você está fazendo quinze anos e não dezoito. Bebidas alcoólicas ainda são proibidas para você.
Jessica percebeu que Sam estava um pouco alterado, ele devia ter bebido mais do que costumava. O que era uma surpresa! Sam jamais ficara bêbado, pelo menos nas festas das famílias, mas precisava continuar com seu plano e disse sedutora:
- E beijar, Sam, eu já posso beijar ou preciso alcançar a maioridade para isso também?
Sam pareceu perturbado, mas mesmo assim disse:
- Por mim, você não beijaria ninguém até precisar de bengala para se manter em pé – a resposta pegou Jessica de surpresa, mas Sam continuou:
- Por que, Jess, você quer beijar alguém? – para sua surpresa, ele observava atentamente sua boca.
- Não... – a voz de Jess falhou quase a entregando, mas conseguiu firmar a voz e completou - não quero, mas querem me beijar!
- Quem?
- Matheo.
- E você quer minha opinião se deve ou não beijar esse tal de Marco? É isso?
- Matheo.
- Tanto faz.
Jessica não estava reconhecendo Sam. Ele sempre fora tão sério, tão gentil e de repente parecia sarcástico. Sim, pensou, podia ser o excesso de bebida. Ela tomou coragem e por fim disse:
- Não, Sam, eu não quero sua opinião, eu quero sua ajuda. Eu preciso que você me ensine a beijar, caso, bem, eu queira beijar Matheo depois.
- O quê?! – Sam arregalou os olhos e olhou-a como a uma estranha
- Isso que você ouviu, eu preciso que você me ensine a beijar...
- Cristo! Eu não posso fazer isso, você é minha irmãzinha...
- Não, Sam, eu não sou sua irmãzinha! Eu não acredito que você me negará isso no dia do meu aniversário – ela fez um beicinho que sabia que Sam não resistiria, ele nunca conseguira dizer não ao seu beicinho – eu preciso aprender a beijar. E por que não com você? Sei que não zombará de mim, caso eu seja um fracasso...
- Não, Jess, não e não – ele começou a se afastar dela.
- Por favor, Sam – ela segurou seu braço e lá estava aquele beicinho de novo – eu não acredito que você fará isso comigo. Você não vê, eu estou precisando de você, agora, me ajude, por favor... Você quer que todo mundo pense que eu sou uma fraude, todo mundo do colégio acha que eu sou uma expert em beijar, em seduzir...
- E posso saber o porquê deles pensarem assim? No mínimo você deve ter dado motivos.
- Não, eu não dei... – ela hesitou antes de falar – acho que o problema é minha aparência. Já ouvi algumas pessoas no colégio comentando que sou uma explosão de sexualidade e que seria impossível eu ter somente quinze anos... com esse corpo... É isso, eu não posso simplesmente ser uma negação beijando, se outros acham que eu sou boa nisso.
- E desde quando você se preocupa com que os outros falam, Jess? O que está acontecendo com você? Primeiro essa coisa de eu te ensinar a beijar... Não, não adianta fazer esse beicinho, dessa vez não vai dar.
- Por favor, Sam, por favor – ela tinha lágrimas nos olhos. Ela precisava convencê-lo, claro que não existia nenhum Matheo que queria beijá-la. Ela somente queria que seu primeiro beijo fosse com Sam, jamais imaginou que ele iria negar-lhe, já que ela sabia que ele já havia beijado metade do estado.
Então resolveu jogar um pouco mais baixo:
- Meu Deus, como você está puritano! Eu só estou pedindo um beijo, não é nada demais já que beijou mais garotas do que você pode contar, eu somente seria mais uma da sua lista.
- Eu não sou puritano! Mas você... eu não posso beijá-la como se você fosse mais uma... Você não entende...
- Sei, sei! Eu não sou sua irmã, droga, eu só estou pedindo para que você me ensine a beijar...
Algumas cabeças se viraram para olhá-los, sem perceber eles haviam se alterado e falavam quase gritando e Sam sabia que a última frase fora ouvida por algumas pessoas.
Pegando firme a mão de Jess, Sam começou a puxá-la para longe dos convidados. Ele saiu do salão, onde estava se realizando a festa e foi para o jardim, mas onde ele olhava havia gente e continuou arrastando Jessica.
- Sam, você está me machucando, me solte...
- Não, você vem comigo! Você quer uma porcaria de um professor de beijo? É isso que você terá!
Jessica lembrava-se como seu coração acelerou e seu corpo automaticamente começou a tremer e ela só conseguia pensar: ele vai me beijar, ele vai me beijar..., não importava mais que seus pés, a todo instante, viravam por causa do salto alto, ou os tropeções que dava, ao enroscar-se na barra do vestido longo.

Sam não achava um lugar que não houvesse ninguém, eles andaram, passaram pelos carros estacionados e mesmo nos carros havia adolescente se agarrando. Ele acabou chegando perto dos estábulos e Jessica pôde sentir o cheiro tão familiar de feno misturado com o dos cavalos, que ela amava e conhecia desde quando nascera, assim como era com Sam.

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