terça-feira, 30 de julho de 2013

Capítulo 1/ Parte 3

Por: Lívia Stramare
Sem ao menos dizer o que ele iria fazer, Sam encostou Jessica na parede lateral do estábulo e grudou sua boca na dela, sem aproximar o corpo, segurava firme o pulso de Jessica. Foi um beijo sem carinho, somente lábio contra lábio, mesmo assim, Jessica achou que iria desfalecer. Em sua mente a mesma frase se repetia agora num tempo verbal diferente: ele está me beijando, ele está me beijando...
E aos poucos Sam amenizou a pressão. E somente com os lábios ele a beijava suavemente. Primeiro os lábios superiores de Jess, depois os inferiores, dando leves mordidas, sem machucar. Jessica não agüentava mais, entreabriu os lábios convidando, instigando Sam a aprofundar o beijo e ele não hesitou tomou posse do que já era seu. Passou sua língua vagarosamente entre os lábios de Jess e entrou já explorando o interior de sua boca. Jess soltou um gemido de puro deleite e mesmo sem nenhuma experiência, seu instinto a fez se aproximar mais de Sam e grudar seu corpo no dele.
Sam soltou o pulso de Jess e a enlaçou pela cintura, trazendo como se fosse possível, mais para perto de si. O beijo agora se transformava num beijo exigente, apaixonado. Eles não sabiam mais de quem eram os gemidos. Jessica percebeu, com a pouca coerência que ainda lhe restava, que simplesmente Sam havia se entregado. Ele era dela ali, somente dela e nada mais importava.
Quando ele desesperadamente tentou alcançar suas coxas já bem torneadas pelo manejo com os cavalos, no meio de todo aquele tecido e tule, ela não resistiu ou protestou. Quando ele finalmente conseguiu chegar a suas pernas e rasgou sua meia-calça, ela somente gemeu e arqueou os quadris oferecendo-se, pedindo mais. Em nenhum momento ele parou de beijá-la, nem ao menos para explorar seu pescoço ou seu colo exposto pelo decote tomara que caia. E quando ele afastou sua calcinha e introduziu delicadamente um dedo dentro dela, já úmida e quente, ela achou que desmaiaria de tanto prazer e o gemido de Sam dizia mais do que qualquer palavra.
Ele pegou a mão de Jess e a pressionou sobre sua calça, mostrando sua excitação. Jess sentiu pela primeira vez a rigidez de um membro masculino em suas mãos, mais uma vez por instinto começou a massageá-lo sobre o tecido, fazendo Sam intensificar sua investida dentro dela. Agora ele introduzia, num movimento frenético de vai e vem, dois dedos dentro de Jess e com o seu polegar massageava seu clitóris, levando Jessica a um ponto inimaginável de excitação. Jessica se pressionava a ele, sem entender até onde aquela agonia prazerosa iria levá-la e numa contradição espantosa, ela não sabia se queria que aquilo acabasse ou jamais terminasse.
E a única frase entrecortada que ela ouviu de Sam foi:
- Solte-se... Deixe vir... Vem comigo, Jess... Vem...
Seu corpo aceitou sem questionar o comando dele. Primeiro ela sentiu seu corpo se retesando e depois se soltando com uma explosão de puro gozo.
Cores.
Espasmos corporais.
Perda total da capacidade de se manter em pé.
Sam abafou seu grito com sua boca e ela sentiu em sua mão a essência do macho, quente e úmida.
Totalmente entregue, com sua cabeça apoiada no ombro de Sam, ela sentia a respiração dele, voltando ao normal em seu pescoço, enquanto com uma mão atrás de suas costas ele se segurava na parede do estábulo e outra ele tirava gentilmente de entre suas pernas. Passando a língua nos lábios ressequidos e inchados, ela preguiçosamente disse, limpando a garganta para a voz sair:
- Eu amo você, Sam, amo você...
Sam como acordando de um pesadelo e não de um sonho bom, afastou-se de Jessica bruscamente, quase a fazendo cair, virou-se de costas, tampou seu rosto com as mãos.
Jessica sem entender nada e sentindo um frio repentino, sem saber se pela falta dos braços de Sam, ou pelo sentimento inesperado que a acometeu: ela poderia perdê-lo para sempre. Tentou se aproximar colocando a mão no ombro de Sam, chamando baixinho.
Sam se encolheu como se o toque dela fosse contagioso, virou-se vagarosamente, dizendo, em tom de lamento:
- Ah, Jess, ah, Meu Deus, o que eu fiz? – o restante da frase foi como um golpe físico em Jess – você é somente uma criança... Uma criança... Como uma irmã para mim! E eu a tratei como uma... uma...
Jess se afastou com a mão no estômago e quase gritou:
- Não!
- Sim, Jess, sim. Eu sou um homem, porra! Homem! Não uma droga de um moleque com os hormônios alterados, eu deveria ter me controlado, me desculpe...
Enquanto Sam falava, Jessica somente conseguia balançar a cabeça negativamente, dizendo não, não e lágrimas escorriam sem parar de seus olhos.
- Você não entende, eu sou o cara que deveria te proteger de homens como eu, que se aproveitam de meninas ingênuas como você... e olhe que eu fiz, me comportei como um cafajeste, nunca me senti tão vil, como agora...
- Pare, Sam, por favor, pare – Jessica chorava, ela não podia acreditar que Sam não a amava, que Sam não havia percebido que algo maravilhoso e especial tinha acontecido, que cada palavra que ele pronunciava era como um golpe físico nela.
- Não, Jess, você que não está compreendendo! Como poderei encarar seus pais, meus pais, depois disso?! Eu sou como o irmão que você não teve para eles, meu papel sempre foi e sempre será de protegê-la, cuidar de você... Não denegri-la a uma qualquer, olha o estado que você está...
- Eu estava ótima, até você começar a falar esse monte de besteiras! – gritou Jessica – será que você não consegue ver? Eu amo você, sempre amei e...
  - Não, por Cristo, não! O que você sente por mim, é somente uma admiração, um amor fraternal, você nem tem idade para saber o que realmente é amar alguém... Você é só uma criança e eu... me aproveitei de você... Não tem desculpa o que fiz...  – Sam mais uma vez praguejou e xingou sem conseguir se controlar.
- Pare de achar que eu sou só uma criança, você não se aproveitou de mim, você sabe melhor que ninguém, Sam, que nenhum homem conseguiria fazer o que você fez se eu não deixasse, se eu não quisesse – Jessica tentou se aproximar, mas Sam não deixou, afastando-se – lembra, você mesmo me ensinou, eu monto cavalos desde os três anos e domo-os desde os dez, você acha que não tenho força para impedir um homem de por a mão em mim? Eu queria você, eu quero você, eu amo você...
Cada palavra de Jessica fazia Sam dar um passo para trás, Jessica sabia que estava perdendo-o e isso a estava dilacerando e ela não sabia o que fazer para mudar o que estava acontecendo.
- Jess, me perdoe – Sam tinha lágrimas nos olhos, Jessica nunca havia visto Sam chorar, nunca. Para ele, homens, principalmente cowboys, não choravam jamais e vê-lo tão abatido, envergonhado, a encheu de culpa e vergonha.
- Sam...
- Desculpe-me, perdoe-me, mas estou mal agora, preciso sair daqui, merda! Preciso... Estou me sentindo o último dos homens, um escroto. Eu não vou conseguir voltar para sua festa, como se nada tivesse acontecido. Sei que deveria ficar e lhe dar apoio, dizer coisas que amenizasse o que fiz, mas... simplesmente, não dá... Eu preciso sair daqui... Eu preciso ir embora...
- Não, Sam, fica comigo, por favor, eu...
- Não, Jess, a única coisa que posso lhe dizer agora, é que esse sentimento que você pensa ter por mim...
- Eu não penso, eu tenho!
- Tudo bem, querida, tudo bem, esse sentimento que você tem por mim, irá se mostrar da maneira como ele é, que é admiração, paixão de adolescência e desaparecerá com o tempo e tenho medo que um dia você me odeie pelo que aconteceu hoje e eu não poderei viver com seu ódio...
E uma explosão de raiva acometeu Jessica:
- Eu não vou odiá-lo Samuel Thunderheart, eu já o odeio...
Jessica saiu correndo em direção a casa, segurando seu vestido todo amassado, chorando. Ela queria que Sam viesse atrás dela, consolá-la, pegá-la nos braços dizendo que a amava, mas Sam não veio. E ela conseguiu com a ajuda de Mia se recompor e voltar à festa, para não ter que dar maiores explicações aos pais. Ela lembrava-se que Mia queria matar o irmão, mas ela disse que o deixasse em paz que toda culpa era dela mesma, acreditando que um homem olharia uma menina como ela, como uma mulher.
E depois desse dia, Jessica o havia visto somente em mais três ocasiões, dois natais e um aniversário de Mia e somente por alguns minutos, que sempre que ela chegava, ele arrumava uma desculpa para ir embora. Sam mudou-se da fazenda para o apartamento em Dallas, transferindo os principais negócios da família para o escritório de lá, alegando que assim facilitaria a abertura de novos contratos e negociações.
E agora havia mais de três anos que eles não se viam e todas às vezes que Jessica tentava contato, ele inventava uma desculpa, ou quando atendia suas ligações, falavam de banalidades. Sam jamais mencionara o ocorrido e quando Jess tentava, ele desligava inventando mais desculpas.

Mas seu amor, não era somente admiração, não era uma paixão de adolescência e não desaparecera com o tempo, ela ainda o amava, mesmo agora com 20 anos, ela não o havia esquecido e tinha certeza que esse telefonema de Mia, mudaria para sempre sua vida.

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